É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

7.10.16

Infância, Existência, Sociedade, Vida.

De repente tudo fica preto no branco. Eu acho que tenho excesso de nostalgias porque às vezes me pego pensando no passado. Acho que sou nova com o espirito velho, consigo me lembra até de coisas da minha infância que não deveria me lembrar. Eu sempre gosto de vasculhar álbuns de fotografias antigos e crio histórias, imagino o que se passou segundos antes daquele momento ser registrados. O passado é tão bonito. Se um dia eu pudesse ter o privilégio de voltar no tempo, eu voltaria para a época mais feliz da minha vida, minha infância. Tenho certeza que jamais voltarei a ser tão feliz quanto eu fui naqueles dias. Eu me lembro da minha avó. Fecho os olhos e quase posso sentir o cheiro das suas roupas, o abraço, a voz, as reclamações, as brincadeiras, ela sentada na mesa roubando comida do meu prato, o sorriso, a cumplicidade, a presença… Eu quase consigo sentir toda a felicidade, com seu jeito meu bravo, que ela me proporcionava naquela época. Eu achei que, assim como os meus avós, essa sensação também seria eterna. Tudo costuma ser intacto quando se é criança. Você consegue ter esperança na vida, nas pessoas, no amor… Você se sente protegido! Aí você se torna adulto, e tudo o que consegue aprender é que a saudade dói e que crescer cansa.

A gente cresce e muitas das vezes ficamos com uma mente envelhecida, com medo do futuro. Muitas vezes gosto de observar os senhores de idade, sabe aqueles que desafiam nosso pensar com uma vida mais “radical”. Praticando rapel, vôos de paraquedas, loucos por qualquer coisa que lhes acelere a vida e que lhes traga o prazer de viver. Uma vez eu li em algum lugar uma frase que dizia assim: “A infância não, a infância dura pouco. A juventude não, a juventude é passageira. A velhice sim. Quando um cara fica velho é pro resto da vida. E cada dia fica mais velho”. Verdade né? É pra ter pena dessa nova geração. Vivemos em uma sociedade, tão impura, degenerada e sem amor, que acabamos sendo acertados em cheio com os problemas do mundo. Não sabemos viver como as pessoas do passado, viver de forma simples e ainda sim ser feliz. Hoje qualquer coisa vira uma tempestade, qualquer tremor se transforma em terremoto. O as crianças perdem sua infância presa sobe esse domínio cibernético, são frias e não sabem o que é “viver”. O mundo se esqueceu do amor. Se esqueceu da justiça, da simplicidade, da fé, da esperança. A sociedade transformou um mundo incrível em uma prisão, onde somos obrigados a viver, seguir ordem e ser escravizado. Porque o hoje não pode ser tão simples como o ontem?

A sociedade que vivemos é virada do avesso, nascida ao contrário, feita para bagunçar o certo do errado. Ela estar sempre tentando controlar nossas vidas dizendo o que devemos fazer, vestir e até comer. E quando ela encontra um sorriso, já quer desfazer.  Uma sociedade cheia de suas próprias regras. Cheia de preconceito. Uma sociedade que diz que quem é sozinho é infeliz. Que diz que quem não fala muito é antipático. De verdade? Eu estou cansada dessa sociedade que julga saber tudo, e insiste em padrões. Foda-se. Eu quero me deixar levar como o vento, me apaixonar como nunca antes, e me entregar por inteiro. Ou quem sabe nunca me apaixonar, e amar apenas a mim mesmo. Quero ser capaz de fazer minhas próprias escolhas. Eu quero viver sem me importar com o que vão achar, e não ligar pra opiniões alheias, nem criticas que só me fazem mal. Eu quero não me importar com a sociedade, e ser feliz de uma vez. Eu não sei se faz alguma lógica essa minha forma de pensar, ou se pelo menos existe alguma coisa coerente nesse texto. Mais é que fica difícil organizar tudo o que penso em palavras. É complicado! Tudo o que sei é que chega uma época que quando damos conta tudo o que fizemos se transforma em lembranças. E essa época se chama de “maturidade”. Mas para alcançá-la é preciso, justamente, já ter lembranças, e pra minha sorte eu sou uma incrível colecionadora. E apesar de não viver uma vida a base de aventuras, e de viver em um mundo cheio rancor, maldade e autoritarismo. Eu aprendi a valorizar as coisas certas na minha vida e a escolher as pessoas que merecem meu carinho, respeito, e meu amor. E algo mais importante ainda, eu aprendi a me valorizar. E no meu mundo, amor próprio é o único escudo que temos pra suportar toda tralha que jogam em cima da gente.


É assim que é vier. Um ciclo. Um processo. Um relógio que faz seu curso, e no fim do dia começa tudo de novo. Viver é tem haver com aceitação, com sonhos, planos, metas, história, riscos, momentos, partículas, segundos, beleza e acima de tudo amor. Viver é ser uma eterna criança. É se jogar no mundo de olhos fechados sem medo de se sujar na lama da tempestade. Não existir, e saborear. É misturar os ingredientes de uma vez e saber identificá-los. É saber descartar o que te faz mal, se apresentar pros problemas como se fosse seu melhor amigo, e ajuda-lo a levantar quando vencê-lo. Enfrentar o medo, e sorrir. Ler um bom livro, aprender alguma matéria de astronomia ou servir no Iraque. E acreditar na humanidade, é se perder na loucura do dia, mas sem nunca deixa de se encontrar no dia seguinte. Viver é ter imaginação de uma criança, e ser capaz imaginar seu próprio feliz para sempre. Viver é um processo construído da infância até a velhice.

Um comentário:

  1. Quando a gente se da conta que crescer é mais do que fazer escolhas as coisas complicam. A gente tem que aprender diariamente a vencer nossos dragões e os que são impostos para nós, ah essa sociedade....

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