É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

16.5.16

Personagens Feministas dos Contos de Fada

A Disney sempre foi sinônimo de sonho para toda garota. Ser uma princesa, encontrar o príncipe encantado, morar em um castelo e ser feliz sempre foi o desejo de toda garotinha sonhadora. Além de um futuro lindo ao lado do príncipe encantado e seu cavalo branco, mesmo de forma mais discreta, a Disney sempre nos apresentou garotas lindas e magrinhas com o cabelo super liso e vestidos galantes, tomando chá da tarde em uma sala bem decorada e mágica. Mais como tudo muda a necessidade de ter um príncipe encantado pra ser feliz, um cabelo liso e boas maneiras também mudaram. E viveram felizes para sempre…. Frase clássica, presente em 99% dos contos de fadas que minha geração cresceu assistindo. Nos contos sempre cabia à mulher o papel de dama sofisticada, indefesa, pura e casta. E ao homem, cabia o papel do valente, corajoso e honrado que fazia de tudo para salvar a mulher incapaz de se defender e viver sozinha. Mais a desconstrução dessa regra começou aos poucos ser desfeita após a criação de Shrek, um ogro que se apaixonou por uma princesa, que virou ogra, e que depois viraram humanos, mas perceberam que eram mais felizes como ogro, dessa forma deixando de lado o padrão de “Beleza” que crescemos acreditando. Em seguida explodiu um monte de personagens feministas que são sinônimos de poder e alto valorização. Elas mostram que não precisam de príncipes, cabelos lindos e castelos grandes e mágicos para serem feliz. Pelo contrário, os mais recentes filmes, como Valente, Frozen e Malévola, mostram histórias em que amor verdadeiro existe entre mulheres. Merida por exemplo, a garota de longos cabelos ruivos e bagunçados, que não quer saber de vestido arrumadinho, postura fina ou pretendentes. Ela é uma heroína feminista, nos moldes de Rapunzel (da animação Enrolados) e de Tiana, (de A Princesa e o Sapo). Há outros desenhos Disney que contam histórias de protagonistas femininas fortes e corajosas, como “Pocahontas”, que impede uma guerra, ou “Mulan”, que salva seu país de uma invasão. No entanto, seus relacionamentos ainda se constituíam entre pares românticos e figuras paternas; por muito tempo, a imagem da mãe foi colocada de lado, substituída por madrastas cruéis e invejosas. Essa corrente foi rompida com o lançamento de “Valente”, que além de contar com uma princesa que foge quase totalmente fora dos padrões, apresentou um relacionamento entre mãe e filha como foco do enredo. Já em “Frozen”, a narrativa emocionante gira em torno da amizade de duas irmãs, surpreendendo com uma das maiores quebras de paradigmas dos contos de fadas: o ato de amor verdadeiro para o fechamento da trama não era o beijo de nenhum dos galãs, mas sim a coragem de uma irmã se arriscar pela outra. Graças a Deus A “síndrome de Cinderela” foi destruída. Com o passar dos anos, o mundo mudou. E a Disney mudou junto com ele. Em Aladdin, por exemplo, já temos a ideia do Príncipe Encantado quebrada junto com a ideia da Princesa obediente (Já que Jasmine não aceita ordens do pai). E assim esse estereotipo de que homem é o líder e a mulher a donzela submissa foi completamente por água a baixo. Em “Malévola”, uma das mais recente estreia da Disney, muita coisa é desconstruída: a clássica vilã é transformada em uma personagem multidimensional, complexa e com uma história profundamente tocante. Violentada e traída pelo homem que amava Malévola encontra em outra figura feminina a descoberta do amor verdadeiro e a sua redenção. Assim como em “Frozen”, o príncipe é deixado para o final, como uma espécie de complemento para que o desfecho. Outra mensagem linda passada em Frozen é opressão da sociedade em muda-lá, em fazer você mostra apenas o lado que eles querem ver. Elsa pode ser considerada a personificação da opressão feminina que não pode deixar mostrar quem realmente é. Sua música “Let It Go” expressa isso perfeitamente com as frases “não deixem ver, não deixem saber, seja a boa menina que você sempre precisou ser”.
Sei que ainda tem muito para se mudar nos próximos contos da Disney, pois Shrek é o único que mostra que uma garota gorda e sem beleza pode sim ser feliz. E apesar dessas mudanças, eles continuam trazendo exclusivamente mulheres brancas e magras como heroínas. Ao considerarmos então a questão da inclusão de personagens com deficiência, o quadro fica bem pessimista. Isso tudo influencia a autoestima de milhares de crianças, que são expostas aos contos da Disney desde novinhas, mas que acabam não se encaixando nesses padrões. Essa visão de beleza precisa cada vez mais e mais se expandir, para abrir novas portas, para mostrar o quanto todas nós (garotas) somos fortes especiais e lindas. Esse pensamento também é extremamente positivo para garotos. Dessa forma os fazem enxergarem as garotas como seres humanos independentes, criando uma geração menos machista e dominadora. Mais quem sabe com o tempo eles vão evoluindo e trazendo novas histórias com diversos estereótipos, que além de trazer alegria para todos, serviram de exemplo e inspiração para todas as garotas de todos as cores, tipos e classes sociais, excluindo completamente a aparte que diz que você tem que ser perfeita pra ser feliz.
Deixando de lado a beleza de branca de Neve, Ariel, Aurora e Bela adormecida vamos nos inspirar em algumas personagens feministas dos contos.

Merida não precisou de príncipe para se defender, muito menos de um cabelo liso e bons modos. Ela sabia que a única pessoa que podia realmente faze-la feliz ela era mesmo, e com o apoio de sua mãe, sem precisar de homem algum em sua vida ela foi uma princesa incrível.
Elsa e Anna mostra que família é à base de qualquer final feliz. E que príncipe encantado muitas vezes pode ser o vilão da história.
Mulan se mostrou forte e decidida, ela chutou longe a parte que fala que se você se veste de homem você acaba se tornando um. Ela vestiu uma armadura, foi pra guerra, morou no meio de um monte de garotos, mesmo assim não deixou de lado sua postura, salvou a china e ainda encontrou seu príncipe encantado.
Tiana deixou de lado as descriminações por ser negra e pobre, foi a traz do seu sonho e conseguiu realiza-lo depois de muitos esforços.
Malévola não deu ouvido a parte que falam que uma pessoa quando é má, jamais poderá ser boa. Ela abandonou toda maldade, deu um passo a trás e conseguiu encontrar bondade no seu coração, mesmo após ter sido traída pelo homem que a amava, ela ainda foi capaz de perdoar.
Fiona extrapolou todo padrão de beleza que falava que ela só era feliz se fosse uma linda princesa. Ela só se sentiu viva e completa após se transforma “novamente” em uma ogra.
Jasmine percebeu que o seu príncipe não morava em um palácio nem tinha um cavalo branco, era apenas um garoto que só tentava ganhar a vida. Ela não teve problemas em se casar com um rato de rua completamente inadequado o tirando da pobreza, em vez do contrário.
Rapunzel provou que mesmo sendo, tímida e um pouco perdida com a complexidade desse mundo ela ainda é uma guerreira. Ela prova que a carinha de garota indefesa pode enganar, ela foi capaz de explodir sua bolha pessoal, pular no mundão, desrespeitar a mãe, viver aventuras, se apaixonar pelo cara que não é lá tão certinho, e ainda se defender sozinha.
Pocahontas resgatou o cara que ela ama, porque ela não estava interessada em se casar com o cara que o pai dela queria. Ela tinha outra vocação na vida. Curiosamente, ela é a primeira princesa que não termina com o homem que ela ama, seu destino é maior do que um homem e ela ainda termina com o cara com o grande discurso “não é você, é o meu caminho”. Pocahontas amou corajosamente, mesmo quando isso fez com que ela parecesse estranha, vulnerável e sozinha. Ela não teve medo de ser exposta e apostou naquilo que acreditava.
 E é isso pessoal. Eu espero que vocês tenham gostado, e que esse texto sirva bem mais do que umas dicas de filmes para assistir no final de semana. Que essas personagens sejam exemplo de vida para todas as garotas, e que você também, desencane desse tutorial de felicidade que a sociedade criou. Faça apenas aquilo que te deixa feliz, mesmo que isso signifique burlar regras e quebrar a cara algumas vezes, ser feliz é o que importa. Alguns trechos foram tirados de alguns textos que eu encontrei na internet. É só conferir os links ai. Link1 / Link2 / Link3 / Link4 A ilustrações (menos a de Fiona) são de Jirka Vinse.

8 comentários:

  1. Oi, Dri!
    Amei seu post! Tiana e Mulan são minhas princesas preferidas (apesar de não classifica-las como princesas).
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Eu adoro a Mulan também ela é ótima, e a animação é muito boa.

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  2. Oi! Gostei muito do seu blog e esse post, achei sensacional! É ótimo para dar uma chacolhada na mulherada que curte esses contos e criticam as feministas!

    Boa semana! Grande beijo, Fran.
    www.delirioscotidianos.com

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    1. Verdade.
      Quem bom que gostou, volte sempre.

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  3. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
    é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
    Ficarei radiante,mas se desejar seguir, saiba que sempre retribuo seguido
    também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
    Sou António Batalha.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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    1. Haaa Antonio, muito obrigado. Pode deixar visitarei sim seu blog. Beijos!

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  4. adorei esse post! mt além das princesas bobonas tem mt personagem forte sim nas historias disney

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. È sim, essas animações tem muita lição de vida pra gente pegar.
      Fico feliz em saber que gostou. Volte sempre!

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Vai postar um comentário? Ebaaaaa.
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