É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

21.1.16

Resenha: O Pequeno Príncipe ("O problema não é crescer, é esquecer").

O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração.

Quem nunca ouviu falar no Pequeno Príncipe? O livro Antoine de Saint-Exupéry lançado no anos de 1943 se tornou um clássico da literatura, e tem grande influência e valorização até hoje. A história relata as divergências entre adultos que perderam seus sonhos e esperanças, e as crianças que vêem a vida sem fronteiras ou obstáculos. Infelizmente eu nunca li o livro, apesar de já ter tido um. Eu me lembro quando eu tinha 11 anos, e ganhei vários livros de fábulas de uma amiga da minha mãe que estava se mudando para São Paulo, e entre eles estava o Pequeno Príncipe. Mais naquela época eu ainda não tinha descoberto o meu amor pela literatura, e os livros acabaram se tornando apenas mais um entulho na minha estante. Acabou que eu nem sei o que aconteceu com ele. Anos depois quando eu comecei a me apaixonar pelos livros, me arrependi profundamente de não ter lido. E até hoje ainda não li o livro do Pequeno Príncipe. Eu sei que tem ele online e que dar pra baixar em PDF, mais nunca gostei de ler livros dessa forma, a emoção de poder segurar as páginas não mão é incomparável. Então estou esperando pela oportunidade de poder lê-lo.
Um ano antes de sua morte de Antoine, o livro que se tornou um clássico da literatura universal, ‘Le Petit Prince’, traduzido no Brasil como "O Pequeno Príncipe". Escrito e ilustrado por este ex-piloto aéreo ao longo da Segunda Guerra Mundial, ele se transformou na obra mais vendida em todo o mundo, por volta de 80 milhões de volumes, e foi editado pelo menos 500 vezes. Criar uma adaptação pro cinema da curta fabula infantil dos anos 40, foi um tremendo desafio. Por isso pra quem já leu o livro percebeu que essa foi uma história paralela à do livro, mantendo a essência do texto e adicionando novos elementos que conseguem transmitir o efeito que o conto tem nas pessoas. O filme busca retratar assuntos já discutidos no livro, como a vida adulta, as regras, as normas a serem seguidas pela sociedade e a ausência de imaginação e criatividade presentes nessa fase da vida. No filme a personagem principal é uma garotinha que vive como um apessoa adulta. Sua mãe traçou uma plano de vida inteiro para ela, de como ela deve gastar cada hora do seu dia, cada dia da sua semana, cada semana do seu mês, cada mês do seu ano e cada ano da sua vida. Seu plano se resumis a estudar, ter horários fixos e rígidos para atividades, não se dispersar do que precisa fazer, cada pedacinho era calculado e sem espaço para diversões. O objetivo: conseguir entrar para a escola mais conceituada da cidade. O mais interessante é que nesse plano todo não cabia espaço para amigos, até a pequena conhecer o aviador que, ao contrário dela, vive como uma criança. E ambos começam uma relação muito rica e poética. O filme não se baseia no aviador que conhece o pequeno príncipe, mais na garota que conheceu o aviador, que lhe conta a história do pequeno príncipe. Quando o aviador apresenta  sua nova amiga a um mundo extraordinário, no qual tudo é possível. É aí que começa a jornada mágica e emocionante da pequena garota pela sua própria imaginação e pelo universo do Pequeno Príncipe. É onde ela redescobre sua infância, e que, o que é realmente essencial só pode ser visto com o coração. 
A forma na criação do filme foi usada duas técnicas diferentes de animação para contar as duas histórias – em animação 3D para o segmento inédito, e em stop-motion para a história do Pequeno Príncipe. Uma curiosidade legal sobre o filme é que Osborne se inspirou na filha para a personagem da “menina” (sem nome) e usou as risadas do filho para o Pequeno Príncipe (que podem ser ouvidas mesmo na versão dublada). 
A complexidade de seus personagens e suas mensagens nos faz pensar na forma como jugamos os outros o tempo todo, se esquecendo que somos todos diferentes, porém iguais. E como nos trancamos dentro dessa bolha de preocupações, liderança e seriedade. Nos matamos para sermos felizes. Para darmos um sentido a nossas vidas correndo de um lado para o outro, caçando dinheiro, beleza, amor, prazer. E esquecendo que a verdadeira felicidade está nas coisas mais simples da vida. Sei que já é clichê dizer isso, mais quantas vezes no mês você parou para assistir um pôs por do sol, para regar uma planta, ou simplesmente sentou no banco da praça no fim da tarde por uma hora sem pensar nos problemas? O filme nos ensina a se abrir pro mundo e ver a verdadeira beleza em um simples ato, nas crianças brincando no parque, numa história criada na sua cabeça, no voo de uma aviãozinho de papel... O interessante é que esse filme retrata o mundo real, ou pelo menos, com o que parece estar se tornando. Crianças com mil responsabilidades, pais que não param em casa, vizinhos alegres que são tachados de estranhos, pessoas que não se cumprimentam, individualismo, falta de humor. Para pra pensar se não é assim que as coisas são? As duas personagens sem nome (mãe e filha) estão no filme para representar uma sociedade inteira, em que os pais cortam as asas das crianças em prol de coisas que eles (adultos sérios) querem. Uma característica interessante no filme é o contraponto de cores entre a sociedade, e os momentos entre a garotinha e o velhinho. No mundo real, é tudo monocromático, triste, enfadonho, meio depressivo. As pessoas andam todas cabisbaixas, seguindo uma rotina sem fim, com se fossem parte de uma engrenagem mecânica. Já nas partes com o velhinho as cores se tornam vivas e alegres, há emoção pura no velhinho que não se limita a rotina, e permite a garota sonhar e ousar. 
A crítica presente no livro foi muito bem trabalhada no filme, que usa bastante o termo essencial e retrata uma sociedade completamente focada em profissionalismo e dinheiro. Abrindo mão de toda a ingenuidade e alegria, em busca de algo que possui um valor totalmente questionável. É até mesmo pesado assistir o modo como vivem as pessoas do bairro, que parecem zumbis seguindo uma rotina sem fim de casa ao trabalho, nunca fazendo nada além disso. E ainda por cima criticando qualquer um que busque sua felicidade de outra forma. O livro original é recontado e explorado como uma grande metáfora sobre perda, valores e visões de mundo, numa fantasia fascinante que ajuda a pequena protagonista a encarar seus desafios. Mesmo para quem não conhece ou não gosta tanto do livro, será difícil passar pelo filme sem derramar ao menos uma lágrima. O filme dosa pequenos momentos de humor, doçura e drama, sem nunca pesar demais nem ser leve demais. Esse filme é uma verdadeira obra, que nos mostra uma profunda mudança de valores. Que ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam, do que consideramos essencial na vida, e de como os julgamentos nos levam a solidão. O Pequeno Príncipe é enigmático, profundo e escrito de uma forma metafórica, mais que se torna muito claro o entendimento para quem assiste. É divertido, mas não gera risadas. É profundo, mas ainda assim pode ser visto e entendido pelas crianças. Sem dúvidas a melhor animação que assisti em muito tempo, 
O filme, "O Pequeno Príncipe" é encantador do início ao fim.

4 comentários:

  1. Que lindo, que resenha incrível e concluindo com esse trailler maravilhoso :~ Não tem como não se emocionar. Eu li o livro, é bem curtinho e baratinho, vale a pena :)
    Adorei os detalhes que você observou nas cores e também amei saber sobre a risada do pequeno príncipe ser do filho do Osborne <3
    Ainda não vi o filme, mas vou tentar ver no próximo fim de semana.

    Beijos!

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    1. Isso, assiste sim, impossível não gostar.

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  2. Sempre ouvir falar desse livro, mais confesso que também ainda não li. tenho curiosidade, e esse post atiço mais haha' preciso de um livro ;0
    Beijinhos do blog: notasdeumcoracao.blogspot.com

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    1. Também ainda não li o livro. Mais o filme ficou muito lindinho, vale muito apena assistir.

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