É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

23.9.14

Resenha: Noé

Oi, oi pessoal. Vocês já devem ter ouvido falar no filme de Noé, ele tá bombando nas redes sociais, o elenco está absolutamente incrível. Mas pra quem espera assistir um filme religioso, baseado inteiramente na história da bíblia, vai se decepcionar. É um filme parcialmente inspirado na história de Noé, sim, a família escolhida pra ser salva, a construção da arca, o diluvio, são fatos que estão presentes na história. Mas gente vamos ser sincero, o filme tá tão diferente, que não chega nem perto de um filme “religioso”.
Sinopse: Noé (Russell Crowe) vive com a esposa Naameh (Jennifer Connelly) e os filhos Sem (Douglas Booth), Cam (Logan Lerman) e Jafé (Leo McHugh Carroll) em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém (Anthony Hopkins). Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila (Emma Watson), que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.
A produção foi dirigida por produção dirigida por Darren Aronofsky. O longa é um sonho antigo do diretor, que já vinha há alguns anos tentando encontrar um parceiro para conseguir levar para as telas esta adaptação. Até que a Paramount Pictures resolveu apostar na visão do diretorO produtor contou que quando tinha 13 anos, escreveu um poema sobre a história de Noé. Naquela época, o futuro cineasta se dizia obcecado por religião e considerava essa história em especial bastante assustadora. E realmente é: Deus decide acabar com tudo por estar decepcionado com a humanidade, e o herói da história sabe que o fim do mundo está próximo, mas sua única preocupação é salvar sua família e os animais.Com o tempo, Aronofsky se tornou um novo talento do cinema americano. Seu ultimo longa, o suspense Cisne Negro (2010), foi um grande sucesso de bilheteria e finalmente empurrou o diretor para o alto escalão hollywoodiano. No entanto, o fascínio pela história de Noé permaneceu. Mas a história bíblica, no fim das contas, serve apenas como inspiração para a poderosa visão de Aronofsky. O filme tem seus problemas, mas é 100% fiel à visão do seu diretor. E apesar das inúmeras criticas por ser um filme “diferente” do que muita gente esperava, principalmente por contar uma história bíblica, eu adorei do inicio ao fim.  Duas palavras que classificam essa obra é: diferente e genial.Aronofsky é conhecido por fazer obras que abordam temas fortes, com visual singular e uma trilha sonora profunda. Por isso suas obras têm gerado controvérsia, sendo consideradas muitas vezes violentas, sombrias, surreais ou perturbadoras (muito longe do que os estúdios investem, justamente por agradar uma parcela menor do público). Em Noé, ele tenta quebrar um pouco esse paradigma e para isso conta com nomes conhecidos dos espectadores como: Russell Crowe (Linha de Ação), Ray Winstone (Branca de Neve e o Caçador), Jennifer Connelly (Ele Não Está Tão a Fim de Você),Emma Watson (Harry Potter), Anthony Hopkins (Thor – O Mundo Sombrio) e Logan Lerman (As Vantagens de Ser Invisível). Só pelo elenco FODA, já dar pra te deixar animado.O que foi o ponto negativo pra muita gente, acabou sendo o ponto positivo pra mim. Noé é um filme clássico, que todo mundo sabe como começa e como termina, sem segredos. Pegar uma história já contada milhões de vezes e transformar em algo que faça agente prender a respiração e tentar imaginar como tudo vai terminar é um trabalho e tanto. Entendo que muita gente acha que Aronofsky exagerou com aqueles guardiões de pedra, e um Noé assassino e impiedoso. Uns acusam o filme de ser pagão, outros defendem a sua religiosidade mais vamos concordar que ninguém esperava por aquilo né gente. É disso que tô falando, pegar algo que todo mundo conhece e transformar em algo totalmente diferente. O que seria do filme se o diretor fosse abordar apenas a história contada na bíblia? Seria apenas Noé e sua família vivendo em um barco e nada mais, já que na bíblia não falava sobre a sobrevivência lá dentro, e os dramas pessoais que aquela família enfrentou. Porque, gente, vamos combinar, 40 dias e 40 noite, e uma família inteira presa dentro de um barco cheio de animais, com certeza muita coisa aconteceu lá dentre né, kkkkk.Um filme normalmente tem que manter aquele fundo dramático do começo ao fim, mas ele não tentou atrair o publico com o drama, se ia chover ou não, ou se o povo iria se arrepender ou não, porque se não o filme acabaria no fechar da arca ou no começo da chuva. Ele decidiu colocar outro drama: se Noé tinha entendido toda a mensagem de Deus e não era para sobrar ninguém na face da terra ou se Deus ainda tinha um plano para a raça humana. Isso fez o filme ficar interessante do começo ao fim, além de tirar da nossa zona de conforto.Épicos são sempre bons parâmetros para se contar histórias de grandes feitos, com lições de moral passadas através da jornada do herói. Mas Aronofsky reúne um elenco de peso para uma ousada visão do conto sobre o dilúvio. Claro, a história de Noé é uma parábola destinada a nos ensinar algo e não deve ser interpretada de forma literal. Mas existiam pontos que precisavam ser explicados para o filme fazer algum sentido. A maneira como os animais são atraídos para a arca e o “gás” usado para anestesia-los são detalhes funcionais que ajudam a deixar mais crível a narrativa. Os efeitos visuais usados para retratar os animais – inteiramente criados no computador – rendem imagens espetaculares, com milhares de pássaros, répteis e outras criaturas enchendo a tela. Outras imagens, como a inesquecível cena das pessoas se agarrando a um monte, tentando escapar das águas, ou a história contada por Noé a bordo da arca são momentos que deixam clara a riqueza da concepção visual de Aronofsky.O filme coloca a gente perante um homem entre a decisão de cumprir os desígnios de Deus ou seguir o seu coração, colocado à prova, e tendo ainda de lidar com uma ameaça inesperada no interior da Arca. Fora da arca temos água, muita água. Gostei muito da ideia colocada pelo roteirista de que Noé, ao receber a visão da corrupção do homem, entende que toda raça humana precisa ser destruída, incluindo a própria família. A percepção de que Noé se achava tão pecador quanto os outros reforça a visão de que ele era diferente, sua humildade estava andando junto com sua justiça.O que mais me chamou atenção em Noé foi os efeitos visuais. As imagens são impressionantes desde a trilha sonora, aos ícones e simbolismos que nos situam na mitologia bíblica. Eu assistir em 3D e não me arrependi nem um pouco. Inclusive, a história é de fácil compreensão. Mesmo com tantos nomes "diferentes" a gente consegue entender e inclusive, se emocionar com o desenvolvimento da história. E apesar de que muita gente falou que não era necessário aqueles gigantes de pedra conhecidos como Guardiões. Eu achei que foi como uma marca pessoal do produtor. Não seria um filme do Aronofsky, se não tivesse a cara do Aronofsky. Quem conhece o produtor sabe que ele curte umas paradas estranhas. Kkkk. O autor decidiu ter como base a história bíblica de Noé, mas não desprezou as dezenas de histórias do dilúvio que existem em outras culturas como a do Alcorão, Babilônico e Sumério, que é até mais antigo que o texto bíblico.No filme, Noé é um homem que tem uma visão e luta para torna-la realidade e salvar o mundo. Não é muito diferente de Darren Aronofsky, que sonhou com essa visão há bastante tempo e agora conseguiu dar-lhe vida no cinema. Noé, o filme, parece com os velhos épicos bíblicos do passado de Hollywood: ocasionalmente é melodramático e até mesmo tolo, se apoia em alguns clichês, mas também consegue ser brilhante em vários momentos. Ele discursa sobre ódio e amor, culpa e perdão, vingança, redenção, morte e vida a ser preservada. Se você concorda ou não a forma que ele foi abordado, ainda sim um impacto será causado sendo difícil permanecer indiferente, até para os mais céticos, devido a esses valores universais que nos tornam tão frágeis ou fortes, mas acima de tudo humanos. Esse é um filme que eu super indico. Deixe de lado os preconceitos pela forma que ele foi produzido, e absorva o conteúdo incrível, e depois você vai ver que essa adaptação ficou ótima.

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