É tanta coisa na cabeça que de vez em quando a gente se pergunta: é isso mesmo que quero? Afinal, quem sou eu? O que estou fazendo da minha vida? Estou dando atenção para as coisas certas? Estou gastando energia no que realmente importa? Estou dando a devida atenção para quem gosta de mim? A gente fica nesse mar de perguntas e nada até encontrar uma resposta.

5.8.13

Não precisa ter fim


Eu sabia desde o começo que nós não daríamos certo. Era muita felicidade para durar para sempre e a vida nunca foi muito generosa comigo nesse aspecto. É só eu me apaixonar e puf! Fim de tudo. Parece que eu só tenho graça quando não estou interessada. Que eu sou enjoativa em certo ponto, que muito de mim faz mal. Tem quem diga que a culpa é minha, sempre tão apressada em terminar tudo antes que terminem comigo. Sempre com medo de chegar ao fim e eu ser a única a não perceber. Neurada sem noção que se perde por medo de se perder. Mas não. Não é esse meu pensamento negativo que destrói tudo. Tudo já está destruído antes mesmo de começar. Não sei se é destino, falta sorte ou filha da putisse de alguém lá em cima. Só sei que – apesar de feita para essa tal de felicidade compartilhada – ela não é para mim.

A tarde está linda, a semana foi ótima e o mês... Ah! O mês nem se fala. Vou passar muita madrugada relembrando cada detalhe desses últimos dias e me sentir a mais estúpida do mundo por não ter ido para frente. Mais uma vez. É que da última vez que eu estava tão plena assim, me peguei chorando no cinema do lado do cara. Chorando por estar feliz demais. E não era um choro de alegria. Era choro de quem se despede antes da hora, de quem sabe que atingiu o grau máximo de felicidade possível de se sentir e que – consequentemente – as próximas semanas se aproximariam do caos. Chorei de medo e me senti tola. Garota estúpida. Com medo do que já foi. Agora seria diferente, a felicidade duraria mais algumas semanas. Meses talvez! Mas não foi.

Não foi e eu não quero que isso se repita. Acho que devíamos para por aqui. Quem sabe a gente vira melhores amigos? Isso! Melhores amigos! Vai. Me diz. O que você acha? Assim você não precisa parar de vir aqui em casa ver filme comigo, nem de me ligar quando se fizer necessário. Eu sei que tem coisas que é só para mim que você conta. Não precisa guardar elas não. Me liga sempre! Pode ser todos os dias, se quiser. Afinal, seremos melhores amigos e melhores amigos tem liberdade total. Mais até que namorados. Ou você quer nos limitar o resto da vida por esse sentimento torpe que é a paixão? Sentimento ingrato que se transforma em mágoa num piscar de olhos e a gente nem vê. Sentimento que mais tira do que dá. Tipo droga. Te faz atingir o êxtase, mas depois te pune por isso. Sentimento ingrato e infantil. Para que nos limitar a ele? Para quê?

Vamos afogar essa paixão. Sei lá, deve ser facinho. Vai ver tem até manual na internet. É... Com certeza tem alguma coisa na internet. A gente digita “como afogar paixão” e pronto! Se não tiver assim, tem parecido. Isso! Afogar a paixão e virar melhores amigos. O que você acha? Aí não precisaremos de um fim. Vamos poder ser felizes juntos sem precisar de grau máximo de felicidade, de êxtase, dessas coisas passageiras. A gente pode ser eterno um para o outro para além das lembranças. A gente pode se ter para sempre... O que você acha? Abandonamos tudo isso que estamos construindo e que – por se aproximar da felicidade total – está com cara de que em breve vai ter fim e transformamos em algo muito melhor. Eu topo! O amor não é para mim mesmo... Quem sabe seja para você! Até te empresto meus conselhos, viro melhor amiga dela, só não para de ir lá em casa, só não para de ser meu.

A autora do texto é a Clara Novais, que escreve no seu blog, o Para ver se cola.

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